O projeto Alinhavando Vivências surgiu para as costureiras de Nova Friburgo e demais mulheres envolvidas no processo de confecção do vestuário e moda íntima que movem, em realidade, a economia da região. Elas representam 80% da mão de obra do setor e, por todo o histórico, estão em uma localidade de grande vulnerabilidade social, especialmente após o que ficou conhecido por todos como “a grande tragédia”, a forte chuva de 2011 que caiu provocando violentas enchentes, quedas de barreiras e desmoronamento de construções, deixando um saldo de aproximadamente 10 mil pessoas mortas ou desaparecidas, soterradas no lodaçal ou levadas pelos rios transbordados, em contagem extraoficial, relatada por moradores, parentes e vizinhança. Nova Friburgo viveu, então, além do luto pelos seus habitantes, um forte baque em sua economia, pois, além das dificuldades trazidas, as enxurradas levaram os instrumentos de trabalho das costureiras e paralisaram a principal atividade da região, a indústria têxtil e do vestuário.
Capital Nacional da Moda Intima, a produção chega em torno de 600 milhões de reais e possui grande variedade de modelos. Suas marcas competem no mercado externo e 25% da produção nacional de lingerie se dá no município. Na região existem cerca de 14 mil trabalhadores no setor do vestuário. Destes, 90% são mulheres que trabalham em realidades e modalidades diferenciadas e enfrentam desafios e violências múltiplas.
Acreditamos ser essencial investir na autonomia e fortalecimento dessas mulheres, para que possam tornar melhores as suas condições de vida e impactar com melhorias a sua comunidade e para que adquiram mais poder nas negociações com vistas a conquistas de direitos trabalhistas e de cidadãs, enfrentando, ainda, as violências a que estão expostas cotidianamente.
No município de Nova Friburgo, como constatamos através das mulheres que participaram do projeto e, também, de nossas parceiras locais – a ONG Tecle Mulher – que trabalha com o
atendimento de violências contra mulheres – e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil de NF, existem equipamentos públicos para prestar atendimento às mulheres em situação de violência, mas estão, praticamente todos, bastante inoperantes por falta de pessoal ou de condições de funcionamento.
O Alinhavando Vivências foi desenvolvido com a seguinte metodologia:
(a) Pesquisa – levantamento sobre a realidade das costureiras;
(b) Oficinas e Rodas de Conversa – com temas como cidadania, o papel da mulher na sociedade, o direito a uma vida sem violências, os desafios a vencer, nossos direitos, as mudanças desejadas, formas de organização e liderança; autocuidado;
A troca de informações e a sensibilização para o direito a uma vida sem violências; direitos de cidadãs e para a observação dos direitos das trabalhadoras foram um norte em nossas ações.
A iniciativa mostrou-se fundamental para aumentar a autoestima, dar consciência de direitos às mulheres como trabalhadoras e cidadãs, fortalece-las e estimulá-las a transformar a realidade
adversa para que melhorem, também, suas condições de vida e trabalho. O apoio do Instituto C&A foi fundamental para a que a REDEH, através da equipe do Projeto, ter concretizado com
sucesso essa fase.

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