Grupo de whatsapp – o instrumento de comunicação mais usado, uma vez que todas possuem e manejam razoavelmente bem. Através dele, trocamos informações sobre a atualidade local e nacional, pedidos de ajuda material, emocional, psicológica e, até, auxílio técnico em equipamentos, sobre costura, pontos, receitas, artesanato e, claro, culinária. 

Diário da quarentena – Cada dia duas mulheres do grupo contam como tem sido seu cotidiano e como tem enfrentado a quarentena. Assim, vamos sabendo umas das outras e sabendo que apesar das distâncias obrigatórias, estamos juntas. 

Atendimento psicossocial – com telefone específico, profissionais e militantes do Tecle Mulher, tem prestado atendimento social e psicológico as mulheres integrantes da RMNF, uma vez que, diante da crescente pandemia, contração do vírus, aumento da violência doméstica, demissões no trabalho, autonomia econômica em crise e dificuldades de sobrevivência, têm provocado muito angustia, muita ansiedade, crise de pânico, estresses.

Auxílio emergencial – Cestas básicas (alimentos, higiene, limpeza, remédios) para uma dúzia de famílias de integrantes de RMNF, que sobreviviam da economia informal e estão sem ganho no momento.

Apoio para geração de renda – aproveitando a grande habilidade do grupo – corte e costura – foi proposta a confecção remunerada de 5.000 máscaras pelas interessadas da RMNF, que pode assegurar algum ganho nesse período de crise.

Apoio à proteção ao contágio do corona vírus – Doação das máscaras confeccionadas pelas costureiras à Cruz Vermelha, Postos de Saúde e Comunidades periféricas de Friburgo e comunidades no Rio de Janeiro, onde a Redeh trabalha e para integrantes da AMB Rio.

Campanha Fique em CasaVidas acima dos Lucros e do Consumismo – Campanha desenvolvida e lançada em parceria com uma dezena de movimentos sociais populares de Friburgo, São Pedro da Serra, Lumiar e região, voltada às autoridades e à população.

Esperamos voltar em breve às nossas atividades, mas com saúde e força!

Salve a Solidariedade Feminista: quem tem põe, quem não tem tira!

 

 

 

 

 

O projeto Alinhavando Vivências surgiu para as costureiras de Nova Friburgo e demais mulheres envolvidas no processo de confecção do vestuário e moda íntima que movem, em realidade, a economia da região. Elas representam 80% da mão de obra do setor e, por todo o histórico, estão em uma localidade de grande vulnerabilidade social, especialmente após o que ficou conhecido por todos como “a grande tragédia”, a forte chuva de 2011 que caiu provocando violentas enchentes, quedas de barreiras e desmoronamento de construções, deixando um saldo de aproximadamente 10 mil pessoas mortas ou desaparecidas, soterradas no lodaçal ou levadas pelos rios transbordados, em contagem extraoficial, relatada por moradores, parentes e vizinhança. Nova Friburgo viveu, então, além do luto pelos seus habitantes, um forte baque em sua economia, pois, além das dificuldades trazidas, as enxurradas levaram os instrumentos de trabalho das costureiras e paralisaram a principal atividade da região, a indústria do vestuário.
Capital Nacional da Moda Intima, a produção chega em torno de 600 milhões de reais e possui grande variedade de modelos. Suas marcas competem no mercado externo e 25% da produção nacional de lingerie se dá no município. Na região existem cerca de 14 mil trabalhadores no setor do vestuário. Destes, 90% são mulheres que trabalham em realidades e modalidades diferenciadas e enfrentam desafios e violências múltiplas.
Acreditamos ser essencial investir na autonomia e fortalecimento dessas mulheres, para que possam tornar melhores as suas condições de vida e impactar com melhorias a sua comunidade e para que adquiram mais poder nas negociações com vistas a conquistas de direitos trabalhistas e de cidadãs, enfrentando, ainda, as violências a que estão expostas cotidianamente.
No município de Nova Friburgo, como constatamos através das mulheres que participaram do projeto e, também, de nossas parceiras locais – a ONG Tecle Mulher – que trabalha com o
atendimento de violências contra mulheres – e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo – RJ, existem equipamentos públicos para prestar atendimento às mulheres em situação de violência, mas estão, praticamente todos, bastante inoperantes por falta de pessoal ou de condições de funcionamento.
O Alinhavando Vivências foi desenvolvido com a seguinte metodologia:
(a) Pesquisa – levantamento sobre a realidade das costureiras;
(b) Oficinas e Rodas de Conversa – com temas como cidadania, o papel da mulher na sociedade, o direito a uma vida sem violências, os desafios a vencer, nossos direitos, as mudanças desejadas, formas de organização e liderança; autocuidado;
A troca de informações e a sensibilização para o direito a uma vida sem violências; direitos de cidadãs e para a observação dos direitos das trabalhadoras foram um norte em nossas ações.
A iniciativa mostrou-se fundamental para aumentar a autoestima, dar consciência de direitos às mulheres como trabalhadoras e cidadãs, fortalece-las e estimulá-las a transformar a realidade
adversa para que melhorem, também, suas condições de vida e trabalho. O apoio da LAUDES Foundation foi fundamental para a que a REDEH, através da equipe do Projeto, ter concretizado com sucesso essa fase.

Cartilha Ponto com Nós